100% dos clientes são pessoas. 100% dos colaboradores são pessoas. Se você não entende de pessoas você não entende de negócios. (Simon Sinek)

No mundo dos produtos e serviços de software isso não é diferente. 100% dos usuários são pessoas! Logo, se você é desenvolvedor, empreendedor, engenheiro de software e não entende de pessoas você não sabe desenvolver software.

O objetivo aqui não é insultar suas habilidades técnicas como desenvolvedor ou engenheiro. Entretanto, pode ser que você seja o melhor em sua área e, ainda assim, não saber produzir um produto de software adequado ao usuário final. Porquê? Porque o usuário interage com seu software através de interfaces e, não é nenhuma novidade que elaborar boas interfaces, é o calcanhar de Aquiles de grandes e pequenas empresas de TI.

Cynthia Saucier, co-autora do livro Tragic Design: The Impact of Bad Product Design and How to Fix It, mostra, a partir de uma série de pesquisas, o poder do design em dar errado e prejudicar a vida dos usuários. Além disso, o design pode ser desencadeador de várias reações negativas. Dentre elas estão a irritação, frustração, exclusão e até mesmo morte.

Design Cognitivo

Mas como entender as pessoas? Como desenvolver uma interface adequada ao usuário do meu software?

Donald norman, Co-fundador do Nielsen Norman Group (grupo referência em assuntos de usabilidade) conta que as pessoas costumavam perguntar que tipo de designer ele era. A resposta dele, em um video no youtube, foi:

Devo me chamar de Designer gráfico? Designer de interfaces? UX designer ? Não! Tudo isso é a mesma coisa, estamos tentando fazer a tecnologia trabalhar bem com as pessoas. Portanto, decidi que a maneira correta de responder isso era inventar um novo tipo de design que engloba todos os outros. Eu sou um designer cognitivo!

A psicologia Cognitiva

O Design cognitivo usa como base a psicologia cognitiva, que é um ramo da psicologia que estuda a forma os processos mentais influênciam o comportamento das pessoas, para desenvolver interfaces de software.

O termo “cognitivo” significa conhecimento ou pensamento. Dessa forma, a psicologia cognitiva estuda por que fazemos o que fazemos, e como nossos pensamentos ou estruturas mentais influenciam nossas ações no mundo.

Ulric Neisser, que pode ser considerado pai da psicologia cognitiva, elaborou a tese de que os processos mentais de uma pessoa podem ser medidos e analisados. Também definiu psicologia cognitiva como a psicologia que se refere a todos os processos em que um input sensorial é transformado, reduzido, elaborado, armazenado, recuperado e, finalmente, utilizado.

Além disso, psicologia cognitiva se preocupa em examinar desde questões sobre atenção e memória até percepção, raciocínio, criatividade, tomada de decisão e resolução de problemas, entre outras áreas.

Etapas do Processo Cognitivo

O processo cognitivo acontece em 3 etapas. Em outras palavras, tudo que nós aprendemos sobre o mundo e a forma como interagimos passa por esse processo.

1. Sensação

A sensação é o primeiro estágio do processo mental. Funciona assim: todas informações obtidas através da interação com o meio (que pode ocorrer por meio da visão, audição etc) são transformadas em sinais elétricos e processadas pelo cérebro, até produzirem aquilo que entendemos por sensações.

2. Percepção

Durante o estágio de percepção, ocorre a filtragem das informações captadas pelos sentidos.

a percepção seleciona, organiza e interpreta as informações captadas pelas sensações. Por exemplo, perceba o seu pé entra em contato com o chão. È bem provavel que até o momento você nem tivesse notado isso, porém agora durante o processo de triagem a essa informação agora se torna acessível.

A percepção também integra o contexto no qual você está inserido, sua experiência passada e a memória distante e recente.

3. Cognição

Na última etapa do processo mental, as percepções são trabalhadas e convertidas no que se conhece por pensamento.

Psicologia Cognitiva Aplicada no Design

Se você chegou até aqui, provavelmente deve ter pensando em maneiras que a psicologia cognitiva pode contribuir com o design. Então vamos lá…

1. Design Sprint

“Os superpoderes dos designers, são a empatia e a prototipagem” Aaron Sklar — Tragic Design Book

O design sprint, técnica criada pela gigante Google, utiliza a em suas etapas a construção de um mapa de empatia com o intuito de entender o usuário e validar uma idéia em 5 dias.

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Além disso, pode parecer óbvio mas testar a interface NO CONTEXTO EM ELA SERÁ UTILIZADA faz toda diferença.

2. Heuristicas de Nilsen

Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) o erro humano está entre um dos fatores que mais contribuem para acidentes aéreos. Assim, antecipar e previnir o erro é uma heuristica básica dentre as 10 heuriscas de Nilsen.

Um exemplo prático é o Waze, que alerta o motorista que estar com o carro em movimento e digitar talvez não seja uma boa ideia.

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Logo na primeira vez que usei o Waze precisei mandar uma mensagem pra uma pessoa enquanto dirigia e quando aparecia o alerta eu simplemente apertava em “OK” (Achando que isso me deixaria digitar) mas depois de 3 tentativas tive que parar o carro. Viva o design cognitivo e as heuristicas de Nilsen !!

# 3. A psicologia das cores

Alguma vez você já se perguntou por que o McDonalds usa as cores vermelho e amarelo?

Será que a coca-cola, burger king, ifood, apple escolhem essas cores aleatóriamente?

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Pois é, você acertou! Existe um motivo pra isso meus caros. Olha a psicologia cognitiva de novo ai gente!!!

Isn’t this Cool ? Yeahh! Só que infelizmente não irei entrar em maiores detalhes sobre isso pois pretendo fazer um outro artigo só sobre a psicologia das cores e como você pode usar isso ao seu favor.

#Conclusão

Espero que tenha aprendido um pouco sobre a psicologia cognitiva e sua aplicação no design e até em outras áreas. Com isso, te convido a pensar um pouco mais e entender o usuário em seu proximo projeto. Além disso, você também deverá ser capaz de notar falhas de design e bons designs ao se aprofundar mais sobre a psicologia cognitiva. Embora seja dificil perceber bons designs porque quando eles são bons agente nem percebe que ele tá ali.

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# Tiago Conceicão dos santos Estudante de Ciência da computação na UFS Gerente de projetos na softeam Desenvolvedor FullStack Javascript